quarta-feira, 7 de julho de 2010

terça-feira, 6 de julho de 2010

Mirandês


Sabiam que aqui neste pequeno "jardim à beira-mar" plantado há uma língua que se chama Mirandês?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

EU NÃO CONHECIA O USINÊS...

Mas vocês conheciam o djavanês?

OLHA O HINO AÍ!

O FALAR "CAIPIRA" DE SÃO PAULO

É conhecido que o paulista tem um falar bem característico. Mais pras bandas de cá do que de lá.
O R é bem marcado, como no inglês: daí poRta, com influência de "door"! O ditongo "ei" acaba se transformando em "ê", como em "cadêra", ao invés de cadeira. Porém isso já foi bem pior. O paulistano se livrou rapidamente desse caipirismo no falar por influência dos italianos, daí o sotaque italianado,tipo "orra, meu"!!!!!! Aqui pelo interior, a região de Piracicaba, que engloba Limeira e adjacências tem uma fama cruel. Esse R é bem acentuado, principalmente entre pessoas de baixa escolaridade, entre os mais antigos, entre aqueles que não sofreram influência das migrações. Com a pronúncia acaipirada vem também as variantes linguísticas: "carcanhá" para "calcanhar", "bicoro" para "bico" e por aí vai.
No hino do XV de Novembro de Piracicaba existe muito folclore. A região tem uma alta produção de cana de açúcar e com isso havia uma enormidade de pessoas simples, que viviam do corte da cana, os famosos "pé vermeio" em alusão aos pés sujos da terra vermelho vivo que é característica da região.
O time surgiu em 1913 e subiu para a primeira divisão em 1949. Então um jornlaista de São Paulo criou uma figura caricaturesca símbolo para o time: "Nho Quim" equivalente a Senhor Quinze , que representava o interiorzão de Sampa.
Daí a se criar um hino com o falar próprio não demorou muito. A verdade é que esse hino que roda de boca em boca não consta na história do clube.Existe um hino oficial. Esse é o "do coração" mesmo! Mas que é popular, é inegável.
Termos como "cáxara de forfe", "cúspere de grilo","ásara de barata"eram apelidos usados pelos trabalhadores rurais na rotina do corte de cana....
Mas tem um diálogo famoso também entre um barbeiro e um freguês:
- "Arco o tarco, patrão?"(álcool ou talco?)
- "Verva"! (Aqua Velva - pós barba famoso na década de 60)
Como se vê, Piracicaba é uma cidade belíssima, tem das melhores universidades do país - Agronomia Luís de Queiroz - USP, Odontologia - Unicamp, Unimep e outras menores , com um riquíssimo centro cultural e alto poder aquisitivo. Mas o folclore permanece e ainda é possível se encontrar quem diga: "Oceis é de Limera ou de Bate Pau?"
vera

domingo, 4 de julho de 2010

no cotidiano

Imagem em: mastersuno.blogspot.com

De vez em quando tenho uns ataques de Amélia, mulher de verdade (aquela que lavava, cozinhava e nada reclamava, lembram?).Pois é, mas eu reclamo. E para não ficar uma pessoa insuportável nestes momentos de horário doméstico tenho uma ajudante, que há anos me suporta.
Durante uma conversa  com ela ontem, usei uma palavra que me levou imediatamente aos usos que fazemos das palavras:

-Num esquece de passá sapólio na pia da cozinha, porque ela está "cracachenta". 

Fiquei pensando nas inúmeras vezes que já ouvi pessoas de minha família usarem a palavra  cracachenta. Tantas vezes, que pensei ser  parte do mineirês.
Fui procurar no São Google, porque nos inúmeros dicionários on line, a  palavra não existe !!!!

Encontrei caracachenta.Com o mesmo sentido que sempre usamos por aqui: coisa áspera.
E,para  minha surpresa descobri que é uma palavra muito usada no Espirito Santo. Talvez as idas e vindas dos tropeiros mineiros tenham trazido o caracachenta em suas mulas.
Mas, por aqui, ela já  é cracachenta  mesmo, tornando-se portanto, uma variante linguística, mesmo que os dicionários não saibam disto !!

Ah, encontrei o uso do caracachenta, neste texto divertido: Você sabe falar usinês?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS NA ORALIDADE

Acho importantíssimo preservarmos a oralidade até porque ela é uma característica da regionalidade. E essa característica regional vem se perdendo ao longo do tempo pela influência dos migrantes. Em São Paulo, por exemplo, tivemos e temos até hoje muitos imigrantes que ajudaram a transformar o vocabulário do paulista.
Em 1972, meu último ano de faculdade aqui na PUC Campinas tivemos que fazer um trabalho de campo no Vale do Paraíba. Cada dupla de alunos cobria duas cidades. As nossas foram Natividade da Serra, que pouco tempo depois foi inundada pela barragem e foi reconstruída em outro lugar e São Luís do Paraitinga. Saíamos pela manhã, gravador a tiracolo e conversávamos com crianças, participávamos das brincadeiras: pique-esconde, ana mula. E também conversávamos com os mais velhos: tudo gravado e transcrito foneticamente e fotografado também. Foi um registro maravilhoso de uma região que, na época, tinha características muito diversas dos falares do lado de cá de São Paulo ( região de Campinas). Infelizmente na época fizemos o trabalho que foi para o livro que a professora estava escrevendo e acabamos perdendo os frutos desse trabalho. Mas, nosso país, do tamanho que é, com tanta diversidade cultural tem um material riquíssimo que vai ilustrar esse blog de uma maneira muito profícua.
Os causos dos pescadores que a Juliana publicou são ,sem dúvida, um material riquíssimo.Mas deixa estar que por aqui, na região de Piracicaba também temos falares regionais que tornaram a cidade famosa Brasil a fora!!!!O hino do XV de Piracicaba ( time de futebol) é famoso:
"Caxara de forfe, cúspere de grilo,bícoro de pato,
XV,XV,XV
Ásara de barata, nheque de portera,já que tá que fique,
XV,XV,XV
Veio numa kombi véia, sem óio de breque, de ócro raibã
XV,XV,XV
Carcanhá de bode, tocêra de grama, já que tá que fique,
XV,XV,XV"
para desespero dos piracicabanos, a quem respeito muito!
vera

PELA PRESERVAÇÃO DA ORALIDADE

Em vários cantos desse imenso país é possível encontramos uma variedade bastante diversificada em termos culturais. São riquezas bem distintas que fascinam a tod@s que a elas passam a ter acesso. Muitas vezes, há semelhanças, mas cada cantinho trás na sua essência algo que o faz especial: a língua falada.
Enfatizo a questão da língua falada, pois por mais diferente que seja o lugar, ao escreverem , o que normalmente expressariam por meio da fala, o registro disso vem meio que "mascarado", pois normalmente, costuma-se respeitar a linguagem conhecida como "culta". Porque raramente as pessoas escrevem da forma que falam. Até existe muitos aspectos da oralidade na escrita e vice-versa, mas é preciso se ter clareza que há uma diferença bastante significativa entre uma e outra.
Diante dessa questão bastante distinta envolvendo a língua, e lembrando-me de toda riqueza cultural que permeia o nosso país estrada fora, recordei-me de uma figura bastante significativa, e que está presente em muitas das mais diversificadas regiões desse país: o pescador.
Existe figura mais representativa da linguagem oral do que essa? Quem nunca ouviu, pessoalmente ou ficou sabendo por um amigo ou parente, de um caso ou "causo" de pescador?
Eu já ouvi muitos e quero continuar ouvindo outros tantos, pois é esse tipo de figura, presente em nossa cultura, que nos faz perceber que embora exista uma língua culta, padrão, não se pode desprezar a riqueza de algo, que segundo os estudiosos da área vem muito antes que do registro da língua escrita:  a oralidade.



E é em homenagem a essa figura tão significativa, culturalmente faland,o que o portal KALUA está promovendo 2º CONCURSO NACIONAL DE CAUSOS DE PESCADOR. Abaixo segue maiores detalhes sobre o assunto:
CASO ou CAUSO é uma narrativa de acontecimento inusitado (incomum, insólito, estranho; inabitual) ocorrido com uma pessoa, que pode ser o próprio narrador. O acontecimento pode também ter sido presenciado ou recontado a ele. O texto (oral ou escrito) vem enfeitado pela fantasia do narrador, chegando, por vezes, às raias do absurdo, inclusive com a intervenção de entidades sobrenaturais.

O PORTAL KALUA DE PESCA ESPORTIVA tem o prazer de convidar à participação neste concurso nacional, oferecendo vários prêmios aos cinco primeiro colocados. Conte a lorota, estique a mentira, imagine o inimaginável, pois é assim mesmo que os causos são construídos!

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES

de onde vêm as palavras?

Jane Tanner
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clube da imaginação - de onde vêm as palavras?
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As palavras vêm da varinha mágica que é a língua.

As palavras vêm da sopa.
As palavras vêm dos sons que ouvimos quando estamos com os nossos amigos.
Há palavras quentinhas, acabadinhas de sair do forno.
Se a caneta não escrever, as palavras saem pelas mãos.
As palavras vêm da lua de Inverno.
As palavras são muito tímidas e quando querem sair de casa, vão pela chaminé.
As palavras vêm do coração.
As palavras vêm da palavra “palavra”.
As palavras vêm do fogo, quando o acendemos, as palavras queimam-se e saem, iluminadas.
É da imaginação que vêm as melhores palavras.
Se fosse uma prenda com palavras más, eu não a abria.
As palavras vêm de Homero porque os poetas têm muita sabedoria.
As palavras vêm nas nuvens brancas.
Quando dizemos a palavra errada ela desaparece.
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Ana, Ana Rita, João L., João R., Carina, Adriana, Pedro, Alexandre, Inês (10 e 11 anos)
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Encontrei esse texto no blog AR LÍQUIDO 3

AS PALAVRAS



São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade